Já vi várias mulheres sendo cantadas. Fui cantada várias vezes. Só nunca entendi bem a questão da culpa de ser cantada.

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Preciso confessar que tive vários namorados. Loiros, morenos, universitários, militares, gente boa, amigos. Enfim, homens. Nunca aconteceu de todos serem ciumentos. Sorte a minha. Porque não existe nada mais desagradável do que homem com ciúmes de pensamento, sombra, tentação, roupa, sorriso e demais neuras. Uma coisa, entretanto, parece comum entre este tipo de homem: eles acreditam que a cantada é fruto de “ um mole” que a mulher deu.  Será mesmo que as mulheres dão tanto mole como os homens pensam? Engraçado porque parece que “dar mole” é uma questão muito relativa.

Homens deveriam conhecer melhor sua parceira, aliás, o caráter de sua parceira. Uma mulher com caráter jamais vai para a rua mostrando o que deve ser mantido para sua intimidade. Portanto, começa pela escolha dele. Se ele está namorando uma mulher muito popular, que já se vestia desinibidamente, ele não pode reclamar dessa postura. Se a mulher trabalha fora e tem amigos, vida pessoal, vida social e não tem mais 15 anos de idade, ela tem uma história. Será um ato de possessividade e estupidez querer que ela encerre todos seus interesses e passe a viver em função dele. A segurança de um homem está em entender a verdadeira razão pela qual esta mulher está com ele.

Tive uma amiga de trabalho que começou a namorar um cara incrível. Empresário, divorciado, 40 anos, dois filhos gracinhas e um ótimo nível social. Ela estava apaixonada. Pensou que com esse perfil, não teria problemas. Coitada… De repente a vida dela sumiu e ela passou a viver a vida dele. Pena que quando as pessoas estão na fase burra do relacionamento, não percebem algumas coisas. Só sei que o cara a foi espremendo de um jeito que ela nunca mais participou de um “happy hour”, deixou de jogar squash e “bye-bye” horas extras. Mas, nosso corpo é muito inteligente, ele sempre arruma um jeito de chamar a nossa atenção. Ela começou a ter dores fortes na coluna, passou por ortopedista, fisioterapeuta e parou no psicólogo. Poucas consultas depois, entendeu o que estava acontecendo. O fato dela parar com as atividades físicas fez seu corpo absorver o stress natural do trabalho, que antes eram jogados no suor, na raquete, na bolinha. Fora isso, inconscientemente, ela já estava percebendo a sabotagem que ela se fazia. Por isso as dores… Elas eram emocionais.

O melhor de tudo foi a história que ela usou para terminar com ele.

“Era uma vez um homem que adorava BMW. Seu sonho era ter uma BMW. Ele trabalhou, trabalhou, economizou, se privou de tudo e finalmente comprou sua tão sonhada BMW. Chegando ao edifício que morava arrumou um jeito de colocar sua máquina em uma vaga bem embaixo da sua janela. Para isso teve a maior discussão com o dono da vaga, mas conseguiu. No trabalho não havia essa possibilidade porque ele trabalhava no centro do Rio. Então ele decidiu alugar uma vaga no estacionamento mais caro do bairro. Para jantar fora era um problema porque parecia que nenhum “valet park” era cuidadoso o suficiente para cuidar do seu carrão, por isso ele parou de jantar fora. Com o tempo, a conta do estacionamento do centro foi ficando pesada no seu orçamento e ele teve que mudar de emprego para um lugar que tivesse mais segurança e fosse próximo de sua casa, tudo bem ganhar menos. As crianças e esposa só podiam entrar no carro se estivessem muito limpas, não podia comer nada dentro, nem por os pés em lugar algum que não fosse o chão. Todo mundo ficava tenso quando entrava no carro. No fim de semana ele só pensava em lavar, dar brilho e polir. Acabaram os passeios em família, praia, acabou a vida social. O cara ficou sozinho, com um empreguinho e não teve condições de pagar o seguro e IPVA. Vendeu o carro e ficou sem nada”.

Veja que história triste, ele priorizou o que era material. Agora é a sua vez de refletir: O que é a posse? Vale a pena ser possessivo? Não seria muito melhor você curtir ótimos momentos com alguém especial?