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Diferença entre férias e turismo para a Mulher Tempo

Férias ou Turismo?

Uma vez ouvi uma definição bem legal sobre a diferença entre os dois. Férias servem para você não fazer nada. Você relaxa, espairece, acaba com o estresse. Já o turismo serve para você se alimentar de cultura. Nele você aprende sobre costumes, hábitos, civilizações, geografia e tantas outras coisas. Naturalmente a primeira opção descansa e a segunda cansa.

Tentamos ter 15 dias de férias e 15 dias de turismo anualmente. Essas viagens tendem a ser muito programadas porque não pode sair do orçamento. As férias são mais tranquilas de se planejar, porque para a minha família é sinônimo de praia e praia é uma diversão bem democrática.

Infelizmente não temos como planejar nossas viagens fora da alta temporada. Elas sempre ocorrem em junho/julho e dezembro/janeiro. Tudo lotado e caro, o que acabou sendo uma oportunidade para conhecer lugares sem muita procura, diferentes e nosso turismo acaba sendo uma diversão maior ainda. A família toda se organiza para planejar os possíveis lugares para viajar.

PantanalHá cinco anos decidimos conhecer o Pantanal. Ficamos em uma fazenda pantaneira. Dentre várias opções, escolhemos a Fazenda Santa Inês, em Miranda/MS.

Esse tipo de passeio não oferece qualquer tipo de luxo, muito pelo contrário, é uma lição de humildade. Você é quem tem que se adaptar à natureza. As regras são estabelecidas por ela.

Fomos até lá de carro. Louco, né? Só assim você tem uma verdadeira noção do que são as estradas brasileiras, a família se conhece melhor e também aprendemos a ter paciência e tolerância. Temos bastante entretenimento para as crianças no carro, fazemos muitos piqueniques ao longo da viagem e são várias paradas. De fato, vale muito a pena levar frutas, biscoitos e água porque fora do Sudeste as lanchonetes em postos de gasolina são muito ruins.

Quando saímos de Campo Grande era uma excitação só. Uma viagem ao Pantanal significa ver animais muito diferentes do que vemos por aqui. As placas da estrada já sinalizam a presença deles, que não são cachorros… Horas depois de estarmos com um mangue ao lado da estrada, nosso filho gritou: “um jacaré”! Meu marido parou o carro, tiramos fotos, foi demais!

Desnecessário dizer que ao fim da viagem, um gritava: “um jacaré”! Aí outro respondia: “De novo, para de me encher”! Virou figurinha fácil.

Chegando na fazenda fomos recepcionados pelo caseiro e cuidador dos jacarés – o assunto jacaré ainda era quente. Ele nos mostrou os quartos, ajudou com as malas e perguntou se alguém queria dar comida ao jacaré. Nossa, que euforia! Só que não demos. O bicho era grande e a alimentação era simplesmente uma galinha morta! Extremamente punk para nós, cidadãos urbanos. Ele pegava a galinha, batia a coitada na beira da lagoa e gritava muito alto: Caré, Caré, Caré. Não demorou cinco minutos e apareceu aquele monstro pré-histórico. Obviamente comeu a galinha com uma bocada só. Horripilante e excitante. Dá medo andar lá. Mas o medo é uma emoção e aí está valendo. Viagem sem emoção tem outro nome: férias.

Os passeios foram bem diferentes do que estamos acostumados. Saímos à noite em um caminhão aberto. Com uma grande lanterna procuramos animais, isso se chama Focagem Noturna. Dá muito medo. Eu preferia um carro fechado, mas acho que o objetivo é amedrontar mesmo. Participar da cavalgada lá é louco. Os cavalos voam, a paisagem é muito linda. Até assistimos uma castração (arghh), eles comem o …. Isso mesmo que você pensou. Depois de arrancar as bolas dos bois, eles acendem um fogo e comem tudo. Deus me livre. Finalizamos nosso passeio com um belo churrasco de carneiro ao som da moda de viola. Nunca comi um carneiro tão gostoso. Vegetarianos que me perdoem, mas não conheço um legume tão saboroso como a carne.

Atendendo às dicas dos nossos anfitriões, fomos para um lugar chamado Passo do Lontra Parque Hotel. São 100 km de distância de Miranda em estrada batida, mas muito boa. Várias pontes de madeira e muitos jacarés – eles estão por toda parte! jacare

O lugar é pitoresco. Tudo em madeira e elevado. No meio do ano o rio está vazio por isso o nosso visual foi de muitas pontes para ligar a recepção aos chalés, ao restaurante e a área de embarque para os passeios. Totalmente rústico.

Nós chegamos por volta das 16h e já tinha um passeio de barco, por isso fomos nele assim que fizemos o check-in. Eu me sinto insegura quando estou nesses lugares em que uma onça pode dar um bote, um crocodilo gigante pode engolir um barco ou até mesmo a anaconda. Ô imaginação fértil! Por isso eu acho que poderiam ter barcos de passeio mais altos, mas não, a gente tem que sentir a adrenalina a mil. Fomos e vimos coisas maravilhosas. Uma árvore gigante coberta de Tuiuiús. Não sei como esse bicho voa, ele é enorme, mas a árvore conseguia acolher dezenas deles. O Tuiuiú é bem típico e vimos muitas outras aves. Animais coloridos e com cantos singulares.

O pantanal é uma terra abençoada, mas amedrontadora quando o sol se põe. É óbvio que o sol se pôs e nós estávamos no barco. Agora era medo e frio. Eu grudada com as crianças e meu marido batendo o maior papo com o barqueiro. Eu não estava com fome, mas meu mau humor era evidente. Que coisa desnecessária ficar sofrendo, isso porque eu tinha dito que seria melhor ir no dia seguinte cedo, mas meu marido adora dar a última palavra e não é “sim senhora”.

Nossa acomodação era um chalé. Tinha uma varanda, uma minicozinha e a suíte. Ainda desfazendo as malas eu ouvi um i-i-iiiii. Pedi para o Oswaldo ver o que era. Ele foi até a cozinha e quando voltou ao quarto fechou a porta. Fiquei estressada e quis saber o que era. “Um morcego”, ele respondeu com a calma de quem responde que era engano. Claro que eu disse que era eu ou o morcego naquele chalé. E fui tão taxativa que ele foi lá e tentou tirar o bicho, mas não conseguiu. Enquanto isso eu me tranquei no banheiro com as crianças.

Ouvi ele falar com alguém e depois desligar o telefone. Saímos do banheiro e perguntei com quem ele estava falando e se tinha tirado o bicho. Meu marido disse que era para a gente dormir com a porta da cozinha fechada. Quando eu comecei a ficar irritada de novo, ele me contou que ligou na recepção e pediu ajuda para tirar o morcego. A resposta foi: O senhor sabe que está no pantanal? O que esperava? Em seguida desligaram o telefone na cara dele.

Apesar de toda a aventura citada, não tem como não recomendar essa viagem. Ela é realmente fantástica.

 

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8 Comentários

  1. Paty

    Adoreeeeei sua aventura , me fez lembrar do meu pai. Ele costumava ir todo ano e nós adorávamos as histórias dele , que por sinal era bem parecida com a sua kkkk .
    Bjs sua loka !

  2. Fabiano Fernandes

    Eu tbm conheço um pouco do Pantanal. Uma vez me hospedei em um pesqueiro às margens do rio Paraguai, próximo a Corumbá. No caminho de estradas (?) esburacadas, a primeira experiência nova: atravessar de carro pelo meio de uma comitiva com mais de 500 cabeças de gado.
    Voltando ao pesqueiro, o bicho de estimação não poderia deixar de ser um jacaré, que ficava próximo aos chalés. Parecia empalhado, pois pouco se movia. Ainda tive a oportunidade de pescar piranhas no cais do pesqueiro, que foram maravilhosamente transformadas em um delicioso caldo na hora do jantar. Você só se esqueceu de mencionar os milhares de tipos de insetos que nunca foram, ou serão vistos aqui na “civilização”. Cada um maior que o outro. Pareciam drones naturais.
    Mas tem uma imagem nunca vai sair da minha cabeça. A visão do Pantanal a partir do porto de Corumbá. É onde você tem a exata noção da imensidão que é aquela maravilha da natureza. deslumbrante é pouco.
    Detalhe: se não me falhe a memória, hoje, 17 de novembro de 2016, faz exatamente 20 anos dessa viagem.
    Beijos Denise. Você está muito parecida com sua mãe.

    • mulhertempo.com.br

      Fabiano
      Você morava lá perto, né?
      Infelizmente não cheguei até o porto de Corumbá porque fomos de carro e achei que seria muito “hard”.
      Um beijo

  3. Nicole JOrgey

    Gostei muito de ouvir essas aventuras no pantanal.
    Amo viajar com vcs, mas ainda bem que não me chamaram para essa.
    Acho que não irei ao pantanal.
    Prefiro ter medos falsos, tipo montanha russa….
    Conte das nossas aulas de ski, foi muito divertido!!!!
    bjs

    • mulhertempo.com.br

      Bem lembrado, Nicole. Não vão faltar lances engraçados.
      Beijo

  4. Valéria Guarizo

    Uaaaaaaaaau … uma senhora aventura cheia surpresas e muita coragem ….
    A mulher do tempo e sua família arrasam !!!

    Bjus

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