Mulher Tempo

Precisamos de um dia com mais que 24 horas.

Mulheres desbussoladas

                    Mulher com senso de direção?

Com o GPS, Google Maps, Waze e outros inventos geniais é impossível uma mulher não chegar no seu destino. Só que há alguns anos eles não existiam. Acredite, para a maioria das mulheres a coisa é um pouco complicada.

Segundo Carl Pintzka, do Instituto Norueguês de Tecnologia (NTNU), homens têm melhor senso de direção que as mulheres. Nesse estudo os participantes observaram por 30 segundos um labirinto virtual e tinham 40 tarefas a serem executadas. Ao final, homens resolveram 50% mais de tarefas que as mulheres. Eles tomaram atalhos e se orientaram mais usando direções cardinais.

Ainda no estudo, os pesquisadores deram testosterona para as mulheres e várias começaram a se orientar melhor nas quatro direções cardinais. Isso porque foi usado o hipocampo, parte do cérebro que desempenha importante papel no direcionamento.

Então tá, aquela história que os homens caçavam e as mulheres cuidavam dos filhos, da “casa” e da coleta nos arredores já tem respaldo científico. Pintzka ainda se atreve a dizer que essa característica feminina explica porque elas conseguem encontrar mais rapidamente objetos na casa. Cabe aos homens encontrarem a casa!

Eu só queria entender porque é tão complexo olhar o mapa do shopping e achar meu destino quando vem desenhado VOCÊ ESTÁ AQUI. Caramba, não daria para deixar as mulheres fazerem o mapa? Nosso sistema básico de navegação não tem testosterona. Aliás, eu não acho que já tenha usado os pontos cardeais para fazer qualquer coisa. Ah, sim, tinha que responder às perguntas nas aulas de geografia (argh!).

Por que não explicar melhor?

Meu marido foi microchipado com uma bússola quando nasceu. Ele é fera na navegação. Sempre sabe para qual direção estamos indo. E quando falo em direção estou me referindo aos pontos cardeais: norte, sul, leste, oeste…, mas eu ainda acho que ele me sacaneia. Ele sabe da minha fragilidade (agora característica) e sempre que vamos a um lugar, ele faz caminhos diferentes! Só pode ser para eu me perder.

Quando vou a algum lugar novo, mesmo com o Maps impresso, celular ligado (vai que acaba a bateria), pergunto umas cinco vezes durante o caminho e saio com uma hora extra para dar tempo de me perder! Não confio nos meus neurônios direcionais.

Eu ainda namorava meu marido e marcamos uma viagem. Ele saindo de SP e eu do Rio. A viagem seria para Santo Antônio do Rio Grande. O acesso é pela Dutra, lá na entrada de Penedo. Meu filho foi comigo e levou seu amiguinho Yuri, ambos com 8 anos. Fiz as contas para chegar em Penedo às 17, para poder chegar em Mauá às 18. A estrada que liga Penedo a Mauá é de terra e isso é sempre um saco. Bem, meu querido namorado disse que bastava chegar em Mauá e perguntar, porque é muito pertinho.

Tivemos sorte de encontrar um conhecido do Yuri no posto de gasolina de Penedo. O homem confirmou que era fácil. Ele estava indo para Mauá também e de lá nos mostraria o caminho. Melhor impossível.

Chegando em Mauá, ele explicou assim: “marque no odômetro 600 metros. Vai ter uma árvore grande no meio da estrada, vire à direita. Depois de mais 500 metros vai ter uma curva e você continua na estrada. Por fim vai ter uma subida, na descida você já estará em Santo Antônio”.

Agradeci e seguimos viagem. Infelizmente já tinha escurecido, mas era bem perto. Não havia porque me preocupar. Zerei o odômetro para não errar. Não é que depois de 600 metros tinha mesmo uma árvore? Virei à direita e segui. Depois de 500 metros tinha uma curva e encontrei uma bifurcação não prevista. E agora? Fui para a direita. Não dá para ficar parada pensando em uma estrada de terra, no escuro, no meio do nada.

Estava bem devagar e consegui ver uma casa do meu lado direito, passei por uma ponte estreitíssima de madeira e reparei que estava em uma subidinha de concreto. De repente a “estrada” acabou. Ergui os faróis e dei de cara com muitas, mas muitas vacas. Eu estava dentro de um curral. Acho que elas não gostaram de ser acordadas por mim.

O caminho era bem estreito. Eu só conseguia pensar na bandida da ponte estreita. Como eu passaria por ela no breu que estava somente com a luz de ? Decidi manobrar ali mesmo para ver a estrada de frente com boa iluminação. E quando a roda de trás “caiu”, eu freei. Pois é, a roda de trás ficou suspensa e por mais que eu acelerasse o carro não saia do lugar. Uma pessoa teria que ficar no carro e dois sairiam em busca de ajuda. O Yuri foi comigo.

Meu celular era um PT-550 da Motorola, não era exatamente um celular e lá em Mauá/Santo Antônio não era exatamente um lugar e por isso não tinha sinal. Ah, também não tinha lanterna. Nem no meu celular, nem no meu carro. Esbarramos em algo grande, mais uma vaca. E era preta! Gritei. Para não assustar mais a criança tive a grande ideia continuar a caminhada rezando o Pai Nosso, sempre me alivia. A estrada da bifurcação chegou. Sentamos numa pedra e ficamos esperando por socorro. Achei que meu idolatrado namorado poderia passar por lá.

Pouco tempo depois veio um carro que conseguiu nos socorrer. Ao que tudo indica, homens têm cordas, lanternas e ferramentas no carro. Eles nos guincharam e voltando para a estrada, depois da subida chegamos no nosso destino.

Meu amado namorado chegou duas horas depois. Já tínhamos relaxado do estresse. Fui contar a história para ele. Seus comentários foram: “Por que você não se manteve na estrada principal? Ela é sempre mais larga! Você entrou em uma fazenda”!

Sim, ele me deu uma bronca.

Anteriores

Há Vagas

Próximo

Minha amiga é mais gorda que eu?

2 Comentários

  1. Deise

    Para mim o sul fica no céu e o norte, no meu pé! Adorei, sou infinitamente perdida, me perco a pé, rsrs

    • mulhertempo.com.br

      Dear, o termo desbussolada foi criado para você! Beijo

Deixe uma resposta

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén

Gostou do Blog? Compartilhe!