Qual criança nunca pediu um bichinho de estimação para os pais?

Algumas pedem um irmãozinho, o que torna o pedido um pouco mais complicado. Não sou mais criança, mas vivo pedindo para o meu marido me deixar ter um novo bichinho, eu a-do-ro animais. Ele até que entende minha paixão, mas misteriosamente, nunca mais deixou.

Quando nasci minha mãe me ganhou, ganhou minha gêmea e um cachorro. Acho que minha história de paixão por bichinhos começou assim. Trocando papinhas logo cedo com eles, antes mesmo de andar. Naquela época minha mãe fazia coleção de latas de Neston, sou gêmea, alta demanda, sacou? E uma vez, brincando com minha irmã, eu escondi o Dundum em uma das 30 latas e pedi para ela achar. Ela não achou… Calma, pedimos socorro para a mamãe. O Dundum gostava mesmo dela, dela.

Ao longo da minha vida tive vários cachorros: Kurt, Clyde, Lorie, Chuck, Tequila, Frida, etc., cada um de uma raça diferente, mas só cachorro. Depois que me mudei para o interiorrr e passei a morar em uma casa com espaço generoso decidi, expandir meu horizonte.

Soube que o porco é um animal extremamente inteligente e, dependendo da criação, ele tem um comportamento tão amistoso quanto o de um cachorro. Então eu decidi comprar uma porquinha, estilo Babe. Ela era branquinha, pequenininha e muito fofa: Peggy Sue.

Bichinho diferente

As crianças amaram a porquinha. As cachorras também. Ela era a nova mascote da casa. Como ela começou a crescer e eu não entendia nada de porco, decidi leva-la ao veterinário. O médico era uma graça e adorou a Peggy Sue. Ele me deu todas as dicas e disse uma frase inesquecível: Porco é quem faz do porco, um porco. Um pouco repetitiva, eu entendo, mas o que ele quis dizer é que você pode dar ração, não precisa dar lavagem. E pasme, porco gosta de beber água direto da bica. Nem pense em deixar em pote porque ele não aceita.

No final, o médico quis entender a razão de eu querer ter um porco. Expliquei que tinha bastante espaço e que achava interessante para as “crianças”. Ele foi bem direto e me explicou que a Peggy Sue ficaria com dois metros. Entrei em pânico! Ele me acalmou dizendo que criava porcos e que poderia trocar nossa porquinha por outra que crescesse pouco.  Aceitei, claro, mas frisei que ela precisaria ser bonitinha como a nossa, óbvio. Ele concordou. Então disse que não falaria nada para as crianças não ficarem tristes. Ficou acertado dele ir na minha casa à noite para fazer a troca.  Nem vi direito, só sei que levaram o nosso bichinho e deixaram outro no lugar. Assunto resolvido.

Surpresaaaaa

 

No dia seguinte, meu filho, que tinha quatro anos, falou que ia dar comida para a porquinha.  De repente o moleque deu um grito dizendo que a Peggy Sue estava muito diferente. Sem ver a diferença, expliquei que os porquinhos mudam um pouquinho de noite. Então, ele me disse que ela tinha mudado demais. Fui lá. Quase morri.

No mesmo dia pedi para o veterinário buscar o porco cinza, grande e feio que ele havia deixado no lugar da charmosa Peggy Sue.

Minha assistente ficou com pena e nos deu a Mila. Ela não era exatamente o Babe do filme, mas era bem carinhosa. Ficou conosco até que passou a chafurdar todas as plantas do jardim.

O problema é que para receber um porquinho em casa você precisa de uma pequena reforma. Meu marido não gostou muito da verba que usei e até hoje ele me joga na cara que fiz um Império do Porco para guardar latas de tinta e ferramentas de jardinagem…

 

Dia 14 de março é o dia dos animais no Brasil. Faço a minha homenagem a esses incríveis seres que fazem a nossa vida ser muito mais divertida.

 

Denise Capece para Mulher Tempo.