Mulher Tempo

Precisamos de um dia com mais que 24 horas.

Categoria: Ninguém vive só

Incrível autoestima do homem que dá cantada

O que leva um homem a pensar que pode dar uma cantada?

Cantada é algo com a qual toda mulher tem que saber conviver. Faz parte da nossa cultura ser cantada. E a forma mais infalível que eu conheço para lidar com isso é ignorando. Naturalmente é o que recomendo para todas as mulheres. Indiferença. Isso machuca mais que porrada.

Certo dia eu estava abastecendo meu carro e minha necessidade por café aqui perto. Quando tenho que fazer isso, aproveito e organizo a minha agenda. Porém, muitas vezes, enquanto estou pensando recebo insights. Se você tiver curiosidade, tente ficar em um comércio qualquer observando a reação das pessoas. É muito legal.

Só que nesse dia aconteceu algo diferente. Eu estava sendo observada. Meu, isso me incomodou muito. Cheguei até a refletir se eu causo isso com as pessoas enquanto as observo. Não causo. Primeiro porque eu só olho e segundo porque sou discreta. Ele não. Ele fazia questão que eu soubesse que estava me olhando. Olhando? Não, ele estava me despindo!

Cantada é igual a “atacar”!

Tudo bem que não tenho mais meus 20 anos, nem as curvas da época, mas ainda causo algum tipo de reação. E, pelo visto, o TIGRÃO estava prestes a dar um bote. Ele olhou para mim, mostrou uns seis dentes, depois a arcada superior completa e começou a fazer uns gestos com o corpo. Algo como uma coreografia de ataque. Qualquer sinal que eu desse seria verde!

Agora um parênteses para ser politicamente incorreta. Ele era baixo, barrigudinho, sem charme e careca. Ou seja, nada nele poderia me atrair. Tenho que aplaudir um cara desses. Ele tem muita autoestima. Quantos porcento ele achou que tivesse de chance de eu aceitar aquela insinuação?

Contrariando a minha recomendação lá em cima, eu fiz a minha melhor cara de você está louco?, paguei minha conta e fui embora.

Cantada sem noção

Reli meu texto que fala sobre assédio http://www.mulhertempo.com.br/2017/04/19/como-impedir-o-crime-sexual/ e concluí que quando o cara está a fim, ele parte pra cima. Isso não tem nada a ver com o que você está vestindo. Naquele momento, foi ele que me vestiu! Ele nem se deu conta do ridículo que ele estava fazendo. O seu único objetivo naquela hora era me abater. Eu gostaria de ter o foco dos homens!

Agora uma pergunta para reflexão, que é o meu tema do próximo post. Você já conhece ou ouvir falar do Tinder?O fato de se inscrever significa que você quer…?

Denise Capece para Mulher Tempo

Como impedir o crime sexual?

Existe um responsável pelo crime sexual?

A maneira da mulher se vestir e se comportar incentiva o crime sexual? Será que esse é um pensamento machista, moralista e retrógrado?

Acompanho diariamente os fatos que ocorrem com mulheres. Gosto de falar com elas, saber sobre elas. É um assunto que me interessa, até porque sou parte afetada.

Vejo que as pessoas culpam o assediador. Falam que ele não tem o direito de dar cantada, de passar a mão ou seguir adiante sem o consentimento da mulher. Eu concordo integralmente.

Entretanto, durante anos vivi a experiência de trabalhar com homens eram clientes, fornecedores, pedestres. Todas as formas de contato comercial. O que depuro disso tudo é que o homem tem um pensamento doente. Porque se ele quiser aquela mulher, tudo que ela fizer ou disser será indício de que ela o quer. Em outras palavras:

– Se ela está usando uma roupa justa/curta/decotada é um sinal claro de que é para provocá-lo;

– Se ele a chamar para sair e ela disser que tem namorado, ele vai pensar que, se ela não tivesse, iria aceitar;

– Se ele mexer com ela e ela responder que não é para falar com ela, ele vai entender que só deve tocar nela!

Acho que com os três exemplos já deu para entender o meu ponto. Não depende do comportamento da mulher se ela será assediada ou não. Depende do que esse homem está querendo.

Assédio para o OLGA

Estive lendo o site Think Olga que fala sobre o empoderamento feminino. Achei muito interessante – http://thinkolga.com/ – e recomendo a leitura. Ter informação é importante. OLGA é um projeto feminista que criou a campanha Chega de Fiu Fiu em 2013. Um dos resultados apurados é que 90% das mulheres trocaram de roupa antes de sair de casa.

A campanha gerou (?) um documentário, mas quando fui ver o trailer no Youtube, acabei vendo outros vídeos em que mulheres usavam câmeras escondidas e simplesmente andavam pelas ruas. Vi três situações com gravações de 10 horas. Na primeira a mulher está usando roupas pretas e justas, ela é atraente normal e não fala nada, em nenhum momento. Na segunda, a mulher é bem mais bonita, está vestida com roupas justas, mais atraentes e é muito irônica. Responde a todas as cantadas de forma inesperada. Exemplo: o cara fala que quer se casar com ela. Ela diz: sério, eu também. Vamos?  https://www.youtube.com/watch?v=ISLcdUz-5Jk Na terceira, eles levam a experiência a uma mulher que está com cara entediada e veste moletom bem largo. Ninguém olha para ela. A moça cai e ninguém ajuda. É possível concluir que quando você chama atenção, você recebe?

Onde está o erro?

Talvez esteja faltando uma pergunta para você fazer ao se vestir para sair:  qual é o meu objetivo ao escolher essa roupa?

Tenha claro que você pode alimentar com fantasias a mente doente de um homem. Contudo, se um homem quiser te assediar, independente da roupa que você estiver usando, ele fará isso. E nessa hora, não vai adiantar nada você falar:

Não faça nada com o meu corpo. Eu não te autorizo!

Quando os pais pedem para as filhas não se exporem, mudarem suas roupas, não estão sendo machistas. O que nós queremos é a proteção de vocês.

 

Denise Capece (uma mãe preocupada) para Mulher Tempo

 

Amigaterapia da Mulher Tempo

Quer coisa mais de mulher do que ter amigas?

E melhor amiga? Só mulher tem isso. Amigaterapia é um neologismo, óbvio, mas acho que cai muito bem com o que estamos vivendo. Este texto da Mulher Tempo é uma reflexão sobre a diversidade das amizades que podemos ter e que faz com que a nossa vida seja mais leve.

Vivemos momentos muito distintos e por isso as pessoas que cruzam nossas vidas acompanham essa dinâmica. Em minha vida fui obrigada a me distanciar das minhas amizades por conta do trabalho do meu pai. Perdi contato com amigas do jardim de infância, do ensino fundamental e aí sossegamos. Mas, depois de 30 anos com amizades bem sólidas, me mudei de novo e aqui estou tendo que refazer a minha vida social.

O bom de recomeçar é poder ter a chance de rever seus critérios. Não me engano mais. Não vou encontrar tudo que espero em uma pessoa só. Assim como nossa vida é cheia de áreas, podemos pensar naquela amiga que nos ajuda profissionalmente, em outra que é ótima para te dar conselhos sentimentais, outra que só te ouve e por aí vai.

No entanto, independentemente do tipo papo que você precisa ter, o mais legal de tudo é o encontrar. Para mim essa é a ação da amizade ou como eu chamei: amigaterapia.

Amigaterapia é o ato de encontrar uma pessoa querida, que aceita doar seu tempo com você. É aquela que consegue um horário em sua agenda porque faz questão de estar junto. Ao final, todas saem mais leves e felizes. Por quê?

Benefícios da Amigaterapia

Naturalmente, diversas universidades já estudaram o efeito das amizades e algumas chegam a levantar a hipótese de que, pelo fato de as mulheres terem mais amigas, vivem mais que os homens. Falo de Harvard, Columbia, Brigham Young dentre outras.

Eu poderia citar vários benefícios que os encontros sociais produzem em nossa vida, mas muitos sites já falam sobre isso. Em vez disso vou focar naquele que eu acho o mais importante. Encontrar com amigas para compartilhar situações porque ajuda a eliminar o estresse.

Falar, falar, falar. É algo que eu adoro e acho que muitas mulheres pensam assim. Poder falar sobre o tempo, sobre a nova série de ginástica, sobre a forma grosseira com a qual seu filho te tratou, sobre a D.R. que você está precisando ter com seu marido. Porque nossa vida é feita de relações. O que acontece com a gente é o que acontece com todo mundo. Será que a forma dela lidar com eles não é melhor que a sua?

Ter amigo é amadurecer. Ninguém vem sem defeito, por isso quando você escolhe aquela pessoa, terá que aceitar como ela é.

Eu tinha uma amiga que às vezes arrotava em quadra! Ela dizia que isso era muito importante para ela. Fazer o quê? Em contrapartida ela sempre foi a pessoa mais verdadeira comigo.

Tive um namorado mala que tinha ciúmes (?) das minhas amigas e que, portanto, me impedia de fazer coisas com elas que eu adorava. Ela foi a única que me olhou nos olhos e disse: eu esperava um comportamento menos babaca de você. Foi o suficiente para eu me tocar que – o que quer que eu pensava que tinha – deveria terminar.

Infelizmente essa amiga está a 700 km de mim. Dia 06/03 foi o seu aniversário, eu me lembrei dela e dos muitos momentos que passamos juntas. Foram absurdamente agradáveis. O nome dela é Andrea (sem i, como ela sempre dizia).

Sabe, as mulheres têm muitas desvantagens na vida: jornada tripla, gravidez, TPM, etc., mas sabem como ninguém a valorizar suas amigas.

Desejo que no Dia da Mulher você convide aquela que te inspira, que te ajuda e te apoia para um delicioso café para que você possa compartilhar todo tipo de sentimento e assim continuar sendo a mulher incrível que é.

 

Caso queira conhecer mais sobre os benefícios da amizade, siga o link:

https://saude.terra.com.br/estudo-amigos-fazem-bem-a-saude-saiba-os-motivos,15498c3d10f27310VgnCLD100000bbcceb0aRCRD.html

Mas, se quiser um café bem diferente, experimenta o cítrico na Noz Café:

https://www.facebook.com/nozpadaria

Denise Capece para Mulher Tempo

 

Ctrl C + Ctrl V

Vida de gêmeos é bastante atribulada…

Especialmente se ao menos um deles gosta de zoeira. Ser gêmea univitelina, idêntica, cara de uma/fuça da outra é bem legal. Tem o lado ruim, como tudo na vida, mas ter a Deisinha como irmã é uma aventura.

Até hoje a ciência não explicou o fenômeno da divisão do óvulo e do espermatozóide que se transforma em duas crianças, são os gêmeos univitelinos ou monozigóticos. Gêmeos bivitelinos ou dizigóticos nada mais são do que irmãos nascidos no mesmo dia. São sempre diferentes e a grande graça da coisa é ser igual.

Claro que as mães de gêmeos deveriam fazer um curso COM GÊMEOS antes de parir alguns pares. O ponto de partida é o nome. Pensa comigo, os pirralhos já nascem iguais. Precisa ter nome igual? Claudia e Cleide. Neuza e Neide. O clássico Deise e Denise – meu caso – graças à sábia interferência do meu pai, se não seria Jane e Janete, onde eu seria a Janete.

Os pais precisam entender que é necessário que os gêmeos sintam que têm personalidade distinta. É preciso estimular esta diferença, já que o resto é igual. Gêmeo é fonte de comparação legítima. Vai ter sempre um idiota que vai perguntar: quem é a mais inteligente? Quem é a mais bonita? Troféu inconveniente para o bacana que faz essa pergunta estúpida.

Outro ponto inegociável: POR QUE POR ROUPA IGUAL? A ideia é deixar mais bizarro do que parece? Mães, nós já somos parecidos, têm que deixar a gente igual? Você é a Deise ou a Denise? Que tal te chamar de Deisenise aí não vou errar nunca?gemeas1

Por fim, mas não menos importante, a vida social. Gêmeos “costumam” ter gostos parecidos. Não raro se dão bem com as mesmas pessoas. Por isso é muito, muito, muito importante deixar em salas de escola diferentes. Amizades, ritmo e dificuldade. Nada disso precisa ficar exposto para a turma. Se já existe comparação entre colegas, que dirá entre gêmeos.

Eu e minha irmã temos nomes parecidos, usávamos as mesmas roupas e fomos da mesma sala. Minha mãe achava que a gente ia ficar doente se nos separasse. Bobagem! A ligação que temos é muito forte. É quase doente…. Nosso elo é mais forte do que com um irmão de outra idade. É tudo mais intenso, inclusive as brigas.

Porém, na adolescência a gente já tinha liberdade para escolher nossas roupas, amigos e namorados. Graças a Deus o nosso gosto é super diferente. Ela gosta de gordinhos, eu não! Sei que muitos que estão lendo este texto e conhece uma ou outra pode até dizer/pensar: “mas elas não são tão parecidas assim! ” Se você nos conheceu separadamente pode achar isso, mas deixa colocar uma do lado da outra. Nossos filhos já nos confundiram: “mãe, é você ou a tia Deise? “ Claro que eu não respondia. Adorava a expressão de desespero no rostinho do meu filho (ô dó!).

Um belo dia nós estávamos no clube e tínhamos uns 16 anos. Naquela época namorávamos dois primos. O Guto e o Nilo. Toda hora eles ficavam falando que as pessoas que nos confundiam eram ridículas.

Imagina, uma tem os dentes mais branquinhos, a outra tem o cabelo maior, a primeira tem uma pinta a mais, a outra tem brinco vermelho, o pé desta é mais magrinho…

Aquele papo estava muito irritante. Eu olhei para ela e ela leu meu pensamento. Alguns minutos depois da chatice fomos para o banheiro juntas. Lá trocamos os biquínis e voltamos tranquilamente para a mesa. Não sei quantas horas depois, o Guto ou o Nilo, sei lá, foi beijar a Deise ou eu, sei lá, e as duas gritaram: “NÃO É ELA, SOU EU! ”

Sabe cara de nojo? Pois é, foi a cara dos dois priminhos mimados que foram contrariados. Eles terminaram com a gente no mesmo dia, mas valeu a piada!

Perguntas que JAMAIS devem ser feitas gêmeos:

gemeas2– Você já se confundiu com sua irmã?

– Se eu bater nela você sente?

– Vocês são gêmeas? (Não, somos vizinhas!)

– Qual de vocês é a gêmea má?

– Você é a xerox ou a original?

 

E não, nós nunca fizemos ménage…

 

 

Denise Capece para www.mulhertempo.com.br

 

 

 

 

 

 

Você nunca deu uma gafe?

A Mulher Tempo já. Quer ver?

Gafe é sinônimo de vacilo, deslize, mancada, mico e normalmente desagrada alguém sem perceber. Todos estão sujeitos a ela.

GafeEsse comportamento irrefletido foi estudado por Freud em 1895 em um de seus estudos sobre histeria. Ele notou que as mulheres acreditavam que o deslize era algo grave, porém quanto mais se elas se controlavam para que não acontecesse, piorava. Já Wegner em uma experiência clássica da psicologia reuniu participantes de um estudo e pediu para que não pensassem em um urso branco por cinco minutos. Caso pensasse, a pessoa deveria tocar uma campainha. Ela tocou mais de 15 vezes. Os estudiosos também concluíram que a gafe acontece em momentos em que você está focado em uma atividade. É como uma interrupção da censura enquanto você está concentrado em outra ação.

Há vários tipos de gafes, o que se fala, quando se fala, como se fala, para quem e também o que se faz. Os meios de comunicação adoram. Por exemplo, no extinto programa CQC tinha o Top 5 com as maiores gafes da TV. Ninguém perdoa! Deve ser difícil ser público e nunca errar. Luciana Gimenez, Ludmilla, Anitta e Galvão Bueno que o digam!

Só que parece haver um consenso quando falamos em Rainha das Gafes, Ana Maria Braga ganha tranquilamente o título da TV brasileira. O mais legal é que ela se diverte com suas trapalhadas. As gafes da artista não desagradam as pessoas como fez Silvio Santos no último Teleton. Dizer para uma mulher que ela é muito bonita, apesar de ser negra foi extremamente desagradável e racista. Logo ele, que decepção.

E a Dilma Rainha das Pérolas? Mas nós não vamos sentir tanta saudade assim, porque os Estados Unidos acabaram de eleger Trump e com ele a lindíssima – e só isso – Melanie Trump. Ela optou por ficar quieta depois de usar partes substancias de um discurso na convenção republicana de Cleveland em julho, de autoria de Michelle Obama.

O fato é que ninguém está livre de dar foras. Inclusive eu.

Durante todo o tempo que eu trabalhava no centro do Rio e morava em Niterói, eu costumava jogar squash no horário de rush para não pegar o engarrafamento da Ponte. O clube que eu jogava tinha 90% de sócios e o resto eram as sócias, que não frequentavam regularmente. Logo, toda espécie de alongamento pré e pós jogo eu tinha que fazer longe do público masculino. Uma simples medida para não expor minhas “partes”.

Um dia eu estava em cima da arquibancada flexionando minhas pernas e trazendo para perto do peito, quando uma amiga R. me disse para tomar cuidado pois tinha gente perto. Parei rapidamente para ver quem era, em seguida respondi tranquilamente que ela podia ficar tranquila porque só tinham duas pessoas. Uma delas era um menino de 8 anos e o outro era o M. que não gostava da coisa. Ela riu e foi para o segundo andar do clube onde ficava o bar. Tomei meu banho e fui para o bar com o resto da galera. Reparei que todos estavam rindo muito. Quis saber o motivo. Eles me falaram que o novo casal do Rio Squash eram o M. e a R.

Se é que existe algum lado bom dessa história é que a R. sempre foi muito elegante e nunca fez qualquer comentário sobre a minha gafe.

E se eu estivesse no lugar deles?

Empatia é um sentimento nobre. O empático tem a capacidade de sentir o que o outro sente, ele está dentro da cabeça do outro. Isso o sensibiliza. É incrível como algumas pessoas, apesar da correria da vida, do trabalho e de todas as suas atribuições conseguem doar seu tempo para outros, nem sempre conhecidos.

Calma, não vou fazer um discurso sobre a importância desse sentimento porque você já sabe. Se você pratica ou não é com o seu travesseiro que você deve se acertar. Eu acho muito difícil ser empático, até porque com a quantidade de gente que existe no mundo, se formos parar para ajudar os que estão em dificuldade não faríamos mais nada e ainda não seria suficiente. Eu tento, mas um dia eu estava especialmente sensível.

Ponte_MulherTempoEu morava em Niterói e trabalhava no centro do Rio. Como eu visitava clientes precisava trabalhar de carro. Basicamente eu tinha que pegar a Perimetral, um elevado de 5,5 km que passa sobre a área portuária e que foi implodido em 2014. De lá você tem acesso para a Avenida Brasil, Aeroporto Santos Dumont e a Ponte Rio Niterói. Eu pegava a Ponte Rio Niterói. Uma rota linda que me permitia observar os navios enormes, reparar se a maré era vazante, acompanhar o voo das gaivotas próximas ao vão central, enfim olhar o grande mar. O problema é que quando você tenta ir pra casa às 18h00 vai ficar olhando o mar por um bom tempo, umas duas horas.

Minha carreira vinha antes desse desconforto. Na minha área eu precisava trabalhar em uma grande capital. E, desculpe os que não pensam assim, mas sempre fui muito comprometida com meu trabalho, por isso naquela sexta-feira chuvosa quando pedi ao meu chefe para ir embora e ele viu que eram apenas três da tarde, perguntou se eu estava bem. Não, estava ardendo em febre, doendo todo o meu corpo e com uma tosse horrível. Peguei minhas coisas, liguei meu Uno preto e fui em direção à Perimetral. Só que mesmo sendo cedo, estava tudo engarrafado, para o meu azar. Segundo a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP), o Elevado da Perimetral já estava saturado em 119%…

Aumentei o volume do rádio, acelerei o limpador de para-brisa e me resignei com o meu destino. De repente reparei um caminhão que estava um pouco mais a frente. Ele era aberto e tinham quatro trabalhadores na chuva. Pensei: “Nossa, e se um deles estiver com a virose que eu estou”? Não consegui parar de olhar e me sentir muito mal com esta situação. Depois consegui ver a sigla que vinha na parte traseira PMN, ora o caminhão era da Prefeitura Municipal de Niterói. Não tive dúvida e comecei a sinalizar com o farol para o caminhão. O carro que estava entre nós pegou a esquerda e eu fiquei colada no caminhão. Buzinei e um dos caras olhou. Aí o chamei para dentro do meu carro. Ele não acreditou e eu fiz o movimento com mais ênfase. Ainda apontei para os outros três. Um deles desceu e foi conversar comigo. Estava tudo parado mesmo. A chuva atrapalhou bastante, mas expliquei que eu estava indo para a mesma cidade e que não achava certo eles ficarem na chuva e eu no carro vazio. Entraram quatro homens molhados no meu carro. Eu me senti a pessoa mais generosa do mundo. Quanto altruísmo! E fomos conversando enquanto ainda estava no Elevado. Eles estavam muito felizes, dizendo que isso nunca tinha acontecido antes, que eu era muito boa. Fiquei muito animada, afinal o reconhecimento é algo bem agradável. Perguntei que tipo de serviço eles estavam fazendo e eles falaram que estavam carregando carteiras escolares. A Perimetral acabou e eu peguei a direita, no sentido da Ponte. Subitamente todos ficaram calados. Achei estranho, não entendi o silêncio. Olhei para o rapaz que estava do meu lado e perguntei se estava tudo bem. Ele arregalou os olhos e me perguntou para onde eu estava indo. Fiz uma cara de óbvio e respondi que estava indo para Niterói. Ninguém falou nada, mas começaram a se movimentar de forma inquieta. Eu percebia resmungos e caras MUITO feias. O mais novinho estava bem atrás de mim e, para a minha sorte, era bem religioso. Falava bastante em Deus. Ele me explicou que eles não estavam indo para Niterói. “Como assim”? Eu quis saber. Ninguém explicava. Aí comecei pensar que talvez eles quisessem que eu os levasse direto para suas casas. Sei lá, acho que pensaram que eu era SUPER boa. O clima foi ficando cada vez mais tenso e eu fiquei bem preocupada, na verdade fiquei com medo. A minha ficha começou a cair. Tipo, você está sozinha com quatro homens dentro do seu carro. Se eles te mandarem pegar outra estrada, você vai ter que ir. Eles são Q-U-A-T-R-O. Mas meu amiguinho religioso estava do meu lado e falava para os outros que eles deviam entender que eu tinha sido muito boa, que a minha intenção foi ótima. Finalmente chegamos em Niterói. Eu estava muda. Não sabia se devia perguntar onde os deixava ou se seguia em frente. Ok, não sou do tipo passiva e aquele silêncio estava me incomodando. Ora bolas, eu os tinha tirado da chuva e da carroça de um caminhão! Cadê a consideração?  Parei o carro no acostamento da avenida que sai da Ponte e disse:

Pessoal, não estou entendendo vocês. Achei que tivesse feito uma boa ação trazendo vocês para Niterói. O que foi que eu fiz de errado?

– E quem foi que disse que nós somos de Niterói? Falou um deles.

– Ué, eu vi no caminhão PMN! Respondi.

– Só que nós somos de Nilópolis! Quase gritaram os quatro.

Tá bem, eu conto o fim da história. Tive que dar 10 reais para cada um e deixá-los na rodoviária.

 

Não deixem de acessar o www.papodehomem.com.br tem um texto sobre empatia muito legal!

 

 

De quem é a culpa da cantada?

Já vi várias mulheres sendo cantadas. Fui cantada várias vezes. Só nunca entendi bem a questão da culpa de ser cantada.

Caopaquera_mulhertempo

Preciso confessar que tive vários namorados. Loiros, morenos, universitários, militares, gente boa, amigos. Enfim, homens. Nunca aconteceu de todos serem ciumentos. Sorte a minha. Porque não existe nada mais desagradável do que homem com ciúmes de pensamento, sombra, tentação, roupa, sorriso e demais neuras. Uma coisa, entretanto, parece comum entre este tipo de homem: eles acreditam que a cantada é fruto de “ um mole” que a mulher deu.  Será mesmo que as mulheres dão tanto mole como os homens pensam? Engraçado porque parece que “dar mole” é uma questão muito relativa.

Homens deveriam conhecer melhor sua parceira, aliás, o caráter de sua parceira. Uma mulher com caráter jamais vai para a rua mostrando o que deve ser mantido para sua intimidade. Portanto, começa pela escolha dele. Se ele está namorando uma mulher muito popular, que já se vestia desinibidamente, ele não pode reclamar dessa postura. Se a mulher trabalha fora e tem amigos, vida pessoal, vida social e não tem mais 15 anos de idade, ela tem uma história. Será um ato de possessividade e estupidez querer que ela encerre todos seus interesses e passe a viver em função dele. A segurança de um homem está em entender a verdadeira razão pela qual esta mulher está com ele.

Tive uma amiga de trabalho que começou a namorar um cara incrível. Empresário, divorciado, 40 anos, dois filhos gracinhas e um ótimo nível social. Ela estava apaixonada. Pensou que com esse perfil, não teria problemas. Coitada… De repente a vida dela sumiu e ela passou a viver a vida dele. Pena que quando as pessoas estão na fase burra do relacionamento, não percebem algumas coisas. Só sei que o cara a foi espremendo de um jeito que ela nunca mais participou de um “happy hour”, deixou de jogar squash e “bye-bye” horas extras. Mas, nosso corpo é muito inteligente, ele sempre arruma um jeito de chamar a nossa atenção. Ela começou a ter dores fortes na coluna, passou por ortopedista, fisioterapeuta e parou no psicólogo. Poucas consultas depois, entendeu o que estava acontecendo. O fato dela parar com as atividades físicas fez seu corpo absorver o stress natural do trabalho, que antes eram jogados no suor, na raquete, na bolinha. Fora isso, inconscientemente, ela já estava percebendo a sabotagem que ela se fazia. Por isso as dores… Elas eram emocionais.

O melhor de tudo foi a história que ela usou para terminar com ele.

“Era uma vez um homem que adorava BMW. Seu sonho era ter uma BMW. Ele trabalhou, trabalhou, economizou, se privou de tudo e finalmente comprou sua tão sonhada BMW. Chegando ao edifício que morava arrumou um jeito de colocar sua máquina em uma vaga bem embaixo da sua janela. Para isso teve a maior discussão com o dono da vaga, mas conseguiu. No trabalho não havia essa possibilidade porque ele trabalhava no centro do Rio. Então ele decidiu alugar uma vaga no estacionamento mais caro do bairro. Para jantar fora era um problema porque parecia que nenhum “valet park” era cuidadoso o suficiente para cuidar do seu carrão, por isso ele parou de jantar fora. Com o tempo, a conta do estacionamento do centro foi ficando pesada no seu orçamento e ele teve que mudar de emprego para um lugar que tivesse mais segurança e fosse próximo de sua casa, tudo bem ganhar menos. As crianças e esposa só podiam entrar no carro se estivessem muito limpas, não podia comer nada dentro, nem por os pés em lugar algum que não fosse o chão. Todo mundo ficava tenso quando entrava no carro. No fim de semana ele só pensava em lavar, dar brilho e polir. Acabaram os passeios em família, praia, acabou a vida social. O cara ficou sozinho, com um empreguinho e não teve condições de pagar o seguro e IPVA. Vendeu o carro e ficou sem nada”.

Veja que história triste, ele priorizou o que era material. Agora é a sua vez de refletir: O que é a posse? Vale a pena ser possessivo? Não seria muito melhor você curtir ótimos momentos com alguém especial?

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